*Tia Eron

Meus amigos, a Bahia é o segundo estado que mais mata mulheres, de acordo com o Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5). Em 2016, foram 441 homicídios, o que equivale a 5,7 mulheres assassinadas a cada 100 mil habitantes do estado.

Além disso, só no nosso estado entre 2006 e 2016 o crescimento na violência e assassinato de nossas irmãs aumentou 81,5%. Para completar o quadro de sofrimento dessas mulheres, ser pobre e negra é considerado ainda um agravante e traz vulnerabilidade, o número de homicídios de mulheres negras na Bahia (5,9) é 1,73 vezes maior do que o registrado entre não negras (3,4).

Me traz ainda mais desespero ao pensar que do total de agressões contra a mulher, 42,5% são do próprio parceiro ou ex-parceiro, e 68,8% dos incidentes acontecem dentro de casa. Essas mortes, que devem ser punidas no mais alto rigor da lei, são causadas explicitamente pelo preconceito machista, principal móbil do crime, resquício do patriarcalismo, sobretudo, no Nordeste e na nossa Bahia, onde resiste com mais força a ideia de que a mulher deve ter uma atividade restrita ao âmbito doméstico.

Vocês sabiam que o ciclo de violência começa muito cedo? Até os 14 anos de idade os pais são os principais responsáveis pela violência; o papel de agressor, porém, vai sendo substituído progressivamente pelo parceiro e pasmem, depois dos 60 anos, os filhos preponderam na violência contra a mulher.

Com muita batalha consegui aprovar a realização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por atos de violência contra a mulher. É uma vitória minha e das minhas irmãs. Uma luz nesse túnel tão escuro que é o machismo presente na nossa política.

Como sua representante na Câmara Federal e presidente estadual do PRB, prometo empenhar todos os meus dias na luta contra a desigualdade de gênero e na diminuição da violência contra a mulher, assunto que deve ser debatido com a maior seriedade. Qualquer dado apresentado aqui ainda será muito baixo se levarmos em consideração que ainda existem muitas mulheres que sofrem agressão, mas não têm coragem de pedir ajuda.
Se você é um desses casos ou conhece alguém que passa por isso, não tenha medo. Eu estou do seu lado pra te ajudar.

A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180). A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país. Ao registrar o boletim de ocorrência em uma delegacia, a mulher pode entrar com uma medida protetiva sob a Lei Maria da Penha que obriga o agressor a se manter longe dela. Não se cale, a sua denúncia pode salvar uma vida.