Idealizadora do Prêmio Maria Felipa, quando ainda exercia o cargo de vereadora, a deputada federal Tia Eron (PRB), participa nessa quarta-feira (25), às 18:00, na Câmara Municipal de Salvador, da 9ª edição do evento que presta homenagem às mulheres afrodescendentes que se destacaram na luta pela igualdade racial.

“Em 25 de julho, data que sempre é escolhida para a entrega do prêmio, comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A ocasião merece ser lembrada no Bahia. Lembrada, sim, com especial atenção à mulher negra brasileira, constituindo também oportunidade de voltarmos o nosso olhar para todas as mulheres negras que estão a nossa volta. O Brasil é um país injusto e desigual – e tanto mais injusto, mais desigual, quando falamos das mulheres. As mulheres negras aparecem com mais frequência como vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio”, relata Tia Eron.

Esse ano, o responsável pela confecção do troféu do Prêmio Maria Felipa, o artista plástico Felipe Salutari, é destaque na cena cultural soteropolitana pelo seu esforço de enaltecer a estética e a história de matriz africana em seus trabalhos. O prêmio será entregue pela vereadora Ireuda Silva (PRB), a 19 mulheres negras.

Entre as premiadas estão a promotora do Ministério Público, Lívia Vaz; a jornalista Rita Batista; a vereadora Marta Rodrigues (PT); D. Ana, uma das primeiras obreiras da Igreja Universal; Carol Machado, coordenadora do movimento Novas Felipas; e Silvana Saraiva, produtora da Feafro.

Quem foi Maria Felipa?

A homenagem às mulheres negras realizada anualmente na Câmara é inspirada na história de Maria Felipa de Oliveira, que teve um papel importante na independência do Brasil. Em 1822, ela comandou 40 mulheres que queimaram 42 barcos da esquadra portuguesa e ajudou o povo de Salvador a vencer as tropas de Portugal.

A heroína também é conhecida por enfrentar soldados portugueses na Ilha de Itaparica apenas com galhos de cansanção. Maria Felipa era negra, marisqueira, capoeirista, discriminada, sem educação formal e nasceu como escrava. “Essa personagem que acabou sendo ofuscada por outras mulheres importantes que lutaram na Independência da Bahia, como Maria Quitéria e Joana Angélica. Mas Maria Felipa também teve uma função importante na história e não pode ser esquecida. Ela era voluntariosa, justa e atuava como enfermeira” explica Tia Eron.