Presidente do PRB na Bahia, a deputada federal Tia Eron defendeu, em entrevista exclusiva à Tribuna, a presença de uma mulher na chapa do pré-candidato ao governo da Bahia, José Ronaldo. O partido tem indicado a vereadora de Salvador, Ireuda Silva, para ser postulante a vice ou ao Senado na composição. “[Irmão] Lázaro agrega, é verdade. Mas, quando ele é posto ao lado de uma mulher, sendo negro, do segmento evangélico, ele perde esse espaço. Agrega-se muito mais uma mulher, pelo apelo e, sobretudo, por ser a maior fatia dessa população”, afirmou. Sobre a presença do vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), na majoritária da oposição, Tia Eron respondeu: “deve ser o rosto jovem que o prefeito [ACM Neto] estava procurando”. Para a deputada, a decisão do chefe do Palácio do Thomé de desistir da candidatura ao governo da Bahia ainda não foi superada e “vai levar um tempo”. “O mesmo tempo que ele criou essa expectativa [de ser postulante] é que vai perdurar”, ressaltou. Tia Eron não descartou a possibilidade de ser candidata a prefeita de Salvador em 2020. “A pretensão não é minha e eu insisto em dizer que eu tenho missão. Estou à frente do PRB e quando você está à frente de um partido, ser presidente do partido é servir os seus correligionários. Você não vai ter a capacidade de fazer a gestão desse partido ou fazer esse partido crescer se você pensar em você. Ser presidente de um partido é servir o correligionário, é servir esses filiados”, pontuou.

Por Osvaldo Lyra

Tribuna – A desistência do prefeito ACM Neto deixou muitas sequelas na oposição da Bahia. Como a senhora viu esse movimento? Isso já foi devidamente superado?

Tia Eron – Superado não vai ser. Vai levar um tempo. O mesmo tempo, provavelmente, que se criou essa expectativa dele ser um propenso candidato a governador no estado da Bahia. Para você ter ideia, a conversa entre os colegas deputados e todos aqueles que conviveram com ele quando se fala da Bahia é assim: “Por que ele desistiu?”. É sempre essa incógnita. Por mais que ele tente ou tentasse responder, as pessoas não se conformam. É isso o que você está chamando de sequela e é isso que vai ficar. O mesmo tempo que ele criou essa expectativa é que vai perdurar [as sequelas], sobretudo nesse processo eleitoral com o resultado que teremos.

Tribuna – O prefeito citou a vereadora Ireuda Silva para compor a chapa encabeçada pelo Democratas. Em que pé está essa situação?

Tia Eron – Ele citou, é fato, no período entre janeiro e fevereiro, e falou muito respeitoso comigo o que ele pensou sobre o PRB e me disse: “Tia, esse momento para mim é um momento no qual estou repensando a possibilidade de montar um plano B”. Eu disse a ele [que] “só há um plano único, não há um plano B ou um plano A”, e ele insistia em dizer, daquela forma cartesiana com que ele trata essas conversas, o seguinte: “o PRB terá dois espaços ou na vice ou no Senado”. E eu falei a ele “que bom que você pensa no PRB”, porque eu acredito que naquele momento que o Neto citou o PRB, ele estava vendo o tamanho do PRB e o peso do partido, pois sabe que o PRB agrega. Para aqueles que tentam apequenar o PRB, é importante que olhem as eleições de 2014, na qual nos fizemos quase 300 mil votos, e depois precisamos voltar para 2016 que, só em Salvador, tivemos uma média de quase meio milhão de votos. Já 2016 foi [um ano] muito marcante porque nós queríamos que o vice estivesse no PRB e, talvez, esse era um momento em que Neto queria nos compensar porque em 2016 isso ficou no vácuo. E, em 2018, ele estava buscando nos contemplar em função de 2016. Quando ele cita a vereadora Ireuda, ele atende uma nova ordem. Mulher, negra, ganhou a eleição sem ter uma tradição política ou familiar, veio da área privada, foi lançada e ganhou a eleição com uma margem acima de 10 mil votos. Uma vereadora eminentemente da periferia, de comunidade, que trabalha, que atua, e que no primeiro ano é um dos destaques da Câmara Municipal de Salvador, que é uma das casas mais antigas desse país. Ireuda representa 54% da população.

Tribuna – Além da vereadora Ireuda, o PRB tem outros nomes para compor a majoritária? A senhora abriria mão do seu mandato para integrar essa chapa?

Tia Eron – Aí é que está a questão. Eu não sou senhora do meu destino. Como a gente faz política de grupo e eu sou partidária, eu não poderia jamais decidir se eu iria ou se eu não iria. O PRB tem um projeto nacional de aumentar sua bancada de deputados federais. É o que cresce o partido. Então, se o foco é esse, não é o momento de se tirar Tia Eron para concorrer o que quer que seja. E não pensar também no deputado Márcio Marinho, que seria um nome. O que poderia se pensar realmente é no nome de mulheres [para a chapa]. É importante que se diga sobre a última decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que garante recursos para as mulheres e as colocam no protagonismo da política brasileira. E, mais do que isso, caso não aconteça esse financiamento, os partidos serão punidos. Ou seja, é uma decisão que mexeu nas estruturas políticas e partidárias. A mulher está em ascensão. E o PRB, dentro da conjuntura de oposição, é o único partido que apresenta bons nomes.

Tribuna – O ex-secretário João Roma tem dito que o PRB pode abrir mão da chapa majoritária, se for preciso, para fortalecer a chapa da oposição. Isso é verdade?

Tia Eron – Olha, o PRB nunca teve oportunidade de receber um convite formal, portanto, não há do que abrir mão.

Tribuna – Pré-candidato ao governo do estado, José Ronaldo disse que em nenhum momento o partido conversou com ele sobre o espaço na chapa. Como fica o PRB?

Tia Eron – É importante saber com quem é que se conversa, se é com Neto ou com José Ronaldo. É importante também entendermos quem é que fala. Neto? Quem é que desdiz o que Neto diz? É preciso entender. Enquanto isso, o PRB não tem porque ter nenhuma atitude precipitada ou nenhum tipo de comportamento de procurar, até porque quem está em campanha é José Ronaldo.

Tribuna – E o PRB tem como agregar?

Tia Eron – O PRB tem muito com o que agregar. Todo mundo sabe que na questão de mobilização, de grupo disciplinado, é um partido que faz política de grupo, que tem uma comunicação muito forte, que está muito presente na população. Isso que é interessante. Quando o eleitor olha a política hoje, ele tem ojeriza. Ele não quer participar do processo eleitoral. Por quê? Há um distanciamento da sociedade em relação a esse eleitorado. É importante que essa chapa busque o que mais se aproxima dessa comunidade, dessa sociedade. O PRB está muito próximo dessa sociedade.

Tribuna – Como o PRB vai marchar na eleição da proporcional? Vai de chapinha? Vai de chapão?

Tia Eron – Hoje não se fala mais em chapinha. Eu penso que esse momento foi superado. Tem aí uma conversa muito interessante com o PHS sobre composição. Mas vai de chapão e o PRB ainda está nesse aguardo porque não houve essa definição, mas está no prazo.