Caros amigos, nesta sexta-feira, no dia 7 de setembro, comemoramos 196 anos de independência do Brasil. É, sem dúvida, uma data a ser efusivamente celebrada a cada ano. Mas independência, é necessariamente um processo. Ela não começou com o grito de Dom Pedro e nem se encerrou com ele. Um grito proferido em São Paulo, por mais poder que tivesse, não teria o condão de apaziguar instantaneamente todas as hostilidades entre brasileiros e portugueses em nosso território.

Não foram poucos os conflitos que se instalaram no Brasil após a declaração de Independência. Na Bahia, eles duraram mais de um ano. São batalhas que estão em nossos livros de história, quase sempre com relatos épicos sobre os homens protagonistas dos eventos. E então me pergunto: onde estão as mulheres nessas narrativas?

Elas podem até não estar nos livros de história, mas estavam presentes nas crises mais agudas do nosso País. Muitas delas lutaram por essa independência que hoje celebramos. É o caso, por exemplo, de Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa. Gostaria de destacar a história de Maria Felipa, conhecida pela população da ilha de Itaparica, na Bahia, como heroína negra da Independência. Ela era mulher, negra, trabalhadora e líder de um grupo de pessoas que, sob seu comando, fortificou as praias da Bahia construindo trincheiras; vigiou a orla para detectar desembarques de tropas inimigas; e encarou com vitória inúmeras batalhas contra os portugueses.

Por isso, se hoje estamos perto de completar duzentos anos de emancipação, temos que agradecer a cada um dos heróis, famosos ou anônimos de nosso passado. Foram eles que permitiram que nós, brasileiras e brasileiros, passássemos a escrever de próprio punho nossa história.

E que alegria sentimos ao saber que, exatamente no local onde Dom Pedro proclamou a independência do País, a memória nacional está preservada. Ali, em plena cidade de São Paulo, encontramos o importantíssimo Museu do Ipiranga, da Universidade de São Paulo. Com um rico acervo de mais de 450 mil peças, é um museu fundamental para a compreensão da sociedade brasileira.

Fundamental, igualmente, é o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Não vou dizer que ele era fundamental para a nossa história, porque ele não deixou de existir. Estamos, é verdade, em profundo luto pela destruição de grande parte de seu acervo, que começou a se formar há duzentos anos, com Dom João VI, pai de Dom Pedro. Esperamos que o poder público empregue esforços desmedidos na busca de caminhos para a recuperação do Museu Nacional.

Faço votos de que a atual reforma por que passa o Museu do Ipiranga, palco da nossa emancipação, esteja de fato concluída até 2022, ano do bicentenário da Independência. Nós, brasileiros, esperamos mais do que rever seu importantíssimo acervo. Desejamos que os responsáveis pelos reparos no Museu do Ipiranga considerem absolutamente prioritário impedir que um evento tão trágico para a nossa história, como esse ocorrido no Rio de Janeiro, se repita.

Somente assim, cuidando da nossa história, celebrando nossa autonomia, honrando nossas heroínas e heróis é que podemos de fato comemorar o Dia da Independência. Parabéns ao Brasil e aos brasileiros.